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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A NOSSA ESPERANÇA ESTÁ NO SENHOR


Há desespero na esperança humana. Nossos pilares não são suficientemente firmes para suportar os esbarros da vida. Tempestades borrascosas desabam sobre nós e, não raro, abalam nossas estruturas. Não somos suficientemente fortes. Nossa força, ainda que a mais robusta, não passa de consumada fraqueza. O nosso vigor físico, por mais exuberante, pode ser debilitado repentinamente por uma enfermidade agressiva. A estabilidade das riquezas é frágil demais para garantir-nos segurança ou proporcionar-nos felicidade. Os prazeres deste mundo e os deleites da vida, por mais variados e abundantes, não podem preencher o vazio de nossa alma. Nossas conquistas, diplomas e medalhas de honra ao mérito podem até massagear nosso ego por um tempo, mas não dão real e pleno significado à nossa vida. Ah, nossos amigos, por mais ilustres, não podem estar conosco para nos sustentar, quando cruzamos os vales profundos da sombra da morte. Nem mesmo nossa família pode nos acompanhar quando tivermos de atravessar os portais da morte. Precisamos de um refúgio verdadeiro e onipotente. Precisamos de um amparo seguro que nos agasalhe na hora da tempestade. Onde está esse refúgio? Não está na terra. Não está em nossa força nem em nossa sabedoria. Não está no dinheiro nem nos amigos. Não está em nós mesmos nem em nossa família. Nosso verdadeiro refúgio está em Deus. Nele está nossa esperança.
Por que Deus pode ser a nossa esperança?
Em primeiro lugar, porque ele nos criou e dele somos. Nossa vida não é fruto do acaso nem surgiu espontaneamente. Nossa vida não é resultado de uma evolução multi-milenar nem planejada apenas pelos nossos pais. Fomos criados por Deus. Foi ele quem nos formou de forma assombrosamente maravilhosa. Ele conhece cada célula do nosso corpo e tem bem contados cada fio de cabelo de nossa cabeça. Ele planejou nossa vida, pois nos amou antes mesmo de criar os céus e a terra. Somos dele por direito de criação. Porque ele nos criou e cuida de nós, pode ser o nosso refúgio.
Em segundo lugar, porque ele nos sustenta e nos protege. Deus não apenas nos criou, mas também cuida de nós. Nele vivemos, nos movemos e existimos. É ele quem nos dá respiração e tudo o mais. É ele quem nos guarda e supre nossas necessidades. É ele quem nos dá o pão de cada dia e preserva nossa vida. Nossa vida não está à deriva, jogada de um lado para o outro ao sabor das circunstâncias. Suas mãos dirigem o nosso destino. Ele nos cerca por todos os lados e põe sobre nós a sua mão. Ele é quem estende debaixo de nós seus braços eternos e nos carrega no colo.
Em terceiro lugar, porque ele nos perdoa e nos dá a vida eterna. Se fôssemos entregues à nossa própria sorte pereceríamos irremediavelmente. Nossos pecados são muitos e maligníssimos. Um só seria suficiente para nos manter fora do céu. Porém, Deus nos amou a tal ponto que deu o seu Filho unigênito, para morrer pelos nossos pecados e ressuscitar para nossa justificação. Ele não poupou a seu próprio Filho, para poupar-nos da condenação eterna. Ele moeu seu Filho na cruz, para suspender o castigo que devia cair sobre nós. Seu Filho morreu em nosso lugar para revelar-nos seu amor e sua justiça. Em Cristo temos pleno perdão e copiosa redenção. Dele recebemos a vida eterna e a garantia da salvação. Não precisamos temer o passado, porque já fomos perdoados. Não precisamos temer o presente, porque temos livre acesso à sua graça. Não precisamos temer o futuro, porque temos garantia da glória. Em Deus está a nossa esperança. Jesus é a nossa própria esperança. Nossa vida não é como uma descida ladeira a baixo, onde vamos lamentando e chorando, mas como um monte alcantilado, que vamos escalando, exultantes de alegria, porque a nossa esperança está no Senhor.

sábado, 20 de julho de 2019

 Uma frase sobre amizade diz que “antes de querer ter muitos amigos é preciso ser um bom amigo”. O que um bom amigo é capaz de fazer? O rei Salomão escreveu em Provérbios 17.17 que “o amigo ama sempre e na desgraça ele se torna um irmão”.

O apóstolo Paulo tinha esse amor pelas pessoas. Ele se preocupava em ajudar os outros e tinha certeza de que Deus o escolhera para servir anunciando a mensagem de Deus. Ele escreveu: “E Deus me escolheu para ser servo da Igreja e me deu uma missão que devo cumprir em favor de vocês. Essa missão é anunciar, de modo completo, a mensagem dele” (Cl 1.25). Ao anunciar o que Deus fez para salvar a humanidade, o apóstolo fazia isso com muito amor e alegria porque tinha certeza de que essa é a coisa mais importante que ele poderia fazer pelas pessoas.

Para muitas pessoas o plano de Deus ainda é um segredo. Por isso Deus chama e envia amigos de Deus que estão prontos para servir e anunciar a salvação em Jesus. Todo aconselhamento e ensino à luz da Palavra de Deus têm o objetivo de levar mais pessoas ao conhecimento da verdade, à vida com Deus neste mundo e no céu.

Colocar-se à disposição das pessoas para ajudá-las nos momentos difíceis é algo que somente um amigo de verdade pode fazer. Como é bom perceber que Deus coloca essas pessoas em nosso caminho também! O amor de Jesus move muitas pessoas a serem amigas umas das outras, estando sempre dispostas a servir com amor. Amigos assim são tesouros em nossa vida, pois são mensageiros da verdadeira paz e esperança.

Oremos: Jesus, obrigado pelos amigos que colocaste em minha vida e especialmente aqueles que estão sempre prontos para servir, levando o teu amor para mais pessoas. Usa-me nesse trabalho especial. Amém.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

A CRUZ DE CRISTO, ONDE A JUSTIÇA E A PAZ SE BEIJARAM





“Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram” (Sl 85.10).
O texto em tela aponta para Jesus, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. Destaca a consumação de sua obra na cruz, onde a justiça e a paz se beijaram. A crucificação era a pena de morte mais cruel no primeiro século. Só os criminosos mais execrandos eram punidos com esse gênero de morte. Jesus foi condenado à morte e morte de cruz, sob a acusação injusta de crime contra Deus (blasfêmia) e contra César (fazer-se rei). O poder religioso e o poder político se uniram para condenar Jesus à morte. Judeus e gentios fizeram uma aliança espúria para matarem o Autor da vida.
A morte de Cristo foi o maior crime da história e ao mesmo tempo o maior gesto de amor. Do ponto de vista humano, os homens o mataram com mãos de iníquos. Do ponto de vista de Deus, ele foi entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus (At 2.23). A cruz de Cristo tornou-se o cenário mais vívido para demonstrar o amor e a justiça de Deus. Naquele palco de horror, o amor de Deus foi despejado abundantemente, pois o Pai não poupou a seu próprio Filho, antes por todos nós o entregou (Rm 8.32). Deus nos amou de tal maneira que deu seu Filho unigênito (Jo 3.16). Deu-o para vir habitar entre nós. Deu-o para morrer por nós. Deu-o para levar sobre si os nossos pecados. Ao mesmo tempo, a cruz revela a justiça de Deus, pois na cruz o Pai puniu, no seu Filho, os nossos pecados. Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras.
Era impossível o homem pecador ser reconciliado com o Deus santo sem que seu pecado fosse punido e sem que sua culpa fosse removida. Pois Jesus se fez pecado por nós, carregando sobre o seu corpo, no madeiro, nossas transgressões. Deus lançou sobre ele a iniquidade de todos nós. Ao morrer por nós, em nosso lugar, morte vicária, ele pagou a nossa dívida, abrindo-nos os portais do perdão. Fomos justificados. Agora não pesa mais nenhuma condenação sobre aqueles que estão em Cristo Jesus. Em vez de culpa, temos toda a infinita justiça de Cristo, creditada a nós. Fomos reconciliados com Deus. Agora temos paz com Deus em relação ao passado, acesso à graça em relação ao presente e esperança da glória em relação ao futuro. Estamos quites com a lei de Deus e cobertos com a justiça de Cristo. A cortina que nos separava de Deus foi rasgada de alto a baixo. Fomos aceitos no Amado. Somos filhos e membros da família de Deus. Somos herdeiros de Deus e coherdeiros com Cristo. Nada nem ninguém pode separar-nos do amor de Cristo. Estamos seguros nos braços de Cristo. De suas onipotentes mãos ninguém pode nos arrebatar.
Na cruz de Cristo, a justiça e a paz se beijaram. A justiça foi feita, pois Deus puniu nosso pecado em seu Filho. Na cruz de Cristo, Deus reivindicou sua justiça e satisfez todas as demandas de sua lei. Ao mesmo tempo que ele é justo, também é o justificador daqueles que creem. Nós que éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos de Deus fomos aproximados pelo sangue de Cristo e, por isso, temos paz com Deus. A cruz é o cenário onde houve esse bendito encontro da justiça e da paz. Ali a justiça e a paz deram as mãos. Ali a justiça e a paz se beijaram, selando a nossa eterna redenção.
Não por outra razão, o apóstolo Paulo, o grande bandeirante do cristianismo, disse: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6.14). Ainda: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2.2). Que o nosso coração renda louvores a Deus, pela mensagem da cruz! Que nos gloriemos na cruz de Cristo, em nossa jornada rumo à glória!
Rev. Hernandes Dias Lopes

domingo, 10 de fevereiro de 2019

domingo, 18 de novembro de 2018

Como manter uma igreja viva?

 
Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 1:10-20, onde o profeta repreende a Igreja do Antigo Testamento, chamando seus líderes de príncipes de Sodoma e Gomorra, cidades famosas pela devassidão e iniquidade. O povo de Deus havia se corrompido ao ponto de Deus não mais ter qualquer prazer em receber o culto e a adoração dele. Infelizmente, esse quadro de decadência e corrupção da Igreja de Deus neste mundo se repetiu por muitas vezes através da história. Nestes períodos o povo de Deus esfria em sua fé, endurece o coração, persevera no pecado e serve de péssimo testemunho ao mundo.
Nosso dever como Igreja e cristãos individuais é evitar que a decadência espiritual entre em nossas vidas. Existem quatro coisas que podemos fazer para evitar o declínio espiritual da Igreja, com a graça de Deus:
(1) Tratar o pecado com seriedade. Nada arruina mais depressa a vida espiritual de uma comunidade do que permitir que os pecados dos seus membros permaneçam sem ser tratados como deveriam. Lemos na Bíblia que quando Acã desobedeceu a Deus, toda a comunidade sofreu as conseqüências. Nossos pecados não são problema: mas os nossos pecados ocultos, escondidos, não confessados, arrependidos, se constituem um tropeço espiritual, que entristece o Espírito de Deus, e acaba se espalhando pela Igreja e envenenando os bons costumes e a fé.
(2) Zelar pela sã doutrina. A verdade salva e edifica a Igreja, mas a mentira é a sua ruína. O erro religioso envenena as almas e desvia o povo dos retos caminhos de Deus. O Senhor Jesus criticou severamente a Igreja de Pérgamo por ser demasiadamente tolerante para com os falsos mestres que infestavam a comunidade com falsos ensinos (Apocalipse 2.14-15). Da mesma forma, repreendeu a Igreja de Tiatira por tolerar uma mulher chamada Jezabel, que se chamava profetiza, e que ensinava os membros da Igreja a praticar a imoralidade (Apocalipse 2:20). Devemos ser pacientes e tolerantes, mas nunca ao preço de comprometermos o ensino claro do Evangelho.
(3) Andar perto do Senhor da Igreja. É Deus quem nos mantém firmes e puros. A Bíblia diz que se nós nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós. A Bíblia também nos ensina que Deus estabeleceu os meios pelos quais podemos estar em contínua comunhão com Ele. Estes meios são: os cultos públicos, as orações e devoções em particular, a leitura e a meditação nas Escrituras, a participação regular na Ceia do Senhor. Cristãos que deixam de usar estes meios acabam por decair espiritualmente, como uma brasa que é afastada da fogueira e logo perde seu calor. A negligência destes meios de graça abre a porta para a acelerada decadência espiritual e moral de uma Igreja.
(4) Estar aberta para reformar-se. O lema das Igrejas que nasceram da Reforma foi “Eclesia Reformata Semper Reformanda”. Ou seja, a Igreja deve sempre estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se de seus pecados e reformar-se em conformidade com o ensino das Escrituras. Nas cartas que mandou às igrejas da Ásia Menor através do apóstolo João, o Senhor Jesus determinou às que estavam erradas a que se arrependessem e retornassem aos retos caminhos de Deus (Apocalipse 2.5,16,21; 3.3,19). Elas precisavam ser reformadas e mudar o que estava errado. Existe grande perigo para uma igreja quando ela se fecha em si mesma, e deixa de ouvir a voz do seu Senhor, que deseja corrigi-la e traze-la de volta aos caminhos do Evangelho.
Estas medidas devem também ser aplicadas a nós, individualmente. Deveríamos procurar evitar a decadência espiritual da nossa prática religiosa, mantendo acesa a chama da fé pela freqüência regular aos cultos, pela leitura diária da Bíblia, por uma vida de oração e comunhão com outros irmãos. Infelizmente, por negligenciarem sua vida espiritual, muitos cristãos estão contribuindo para enfraquecer o testemunho das igrejas evangélicas no mundo.

domingo, 13 de maio de 2018

  OS DIAS DE NOÉ E OS DIAS ATUAIS.

 
E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem (Mateus, 24.37-39).

No seu sermão escatológico, Jesus faz menção a muitos sinais que precederiam a sua vinda; entre eles está os dias de Noé. Jesus se refere aos dias de Noé como exemplo de uma sociedade degenerada,  entregue ao pecado e desapercebida das coisas de Deus. Jesus adverte que a sociedade atual estaria vivendo do mesmo modo que a sociedade antediluviana, totalmente entregue ao pecado e sem temor a Deus.

COMO ERA O MODO DE VIDA DA SOCIEDADE DA ÉPOCA DE NOÉ?

CÉTICA.
Uma sociedade descrente, alienada de Deus, vivendo de modo egoísta, voltada para os prazeres mundanos. Eles não acreditavam na pregação de Noé, nem tão pouco no Deus que Noé servia.

MATERIALISTA.
Uma sociedade sem temor a Deus, voltada para as coisas materiais, vivendo de acordo com o sistema secular da época, totalmente despercebida e desprovida das coisas espirituais.

CORROMPIDA (degenerada, entregue ao pecado).
A maldade da sociedade antediluviana havia se multiplicado, e toda imaginação dos pensamentos e do coração eram mal. A sociedade estava degenerada e totalmente entregue ao pecado.

COMO ESTÁ VIVENDO A SOCIEDADE ATUAL?

Com a multiplicação do pecado, a maldade do homem também se multiplicou. Comparando os dias de hoje com os dias de Noé, a sociedade atual está muito mais pervertida e degenerada pelo pecado.
O mundo atual tem uma população de mais de sete bilhões de pessoas, a modernidade trouxe muitas novidades, e o mundo secular ficou mais atrativo para o pecado. A semelhança da sociedade antediluviana, a sociedade atual está vivendo de modo materialista, cética e voltada para os prazeres mundanos. A sociedade atual está cega espiritualmente, totalmente pervertida e desapercebida quanto a volta de Jesus. Assim como os antediluvianos foram pegos de surpresa e pereceram pelas águas do dilúvio; do mesmo modo ocorrerá com está sociedade atual, será surpreendida com vinda do Filho do Homem, e sofrerá o juízo de Deus.
Na época de Noé todos pereceram no dilúvio, exceto Noé e sua família. E hoje, como escaparemos do juízo de Deus, se não atentarmos para nossa salvação na pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A arca foi o meio de salvação para o povo da época de Noé, e eles rejeitaram. Hoje a arca representa Cristo, o nosso único meio de salvação, e muitos estão o rejeitando.
Não rejeite a Cristo o Salvador, mas escape desta geração perversa e busque em Deus a sua salvação. Porque assim como foi nos dias de Noé, será também a vinda do Filho do Homem. Jesus breve vem. Amém! Maranata!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

As situações em que se encontrava Nínive quando Deus a julgou

As situações em que se encontrava Nínive quando Deus a julgou
Naum 3.1-19

Introdução
1.Nínive era cruel demais com seus inimigos, torturando-os antes de matá-los, arrancando-lhes a língua, vazando-lhes os olhos.

2.A derrota de Nínive se deu por mãos divina: Os medos e babilônios sitiaram a cidade por dois anos, quando inesperadamente, a inundação do rio Tigre derrubou uma parte do enorme puro protetor e, assim, o exército entrou e conquistou Nínive.

3.Naum profetizou isso 20 anos antes (Na 2.6). Os muros de Nínive tinham 30 metros de altura e eram
bastante largos. Havia 1500 torres de vigia para a defesa. Uma vala de 50 metros de largura por 30 metros de profundidade circundava a cidade.

4.O capítulo 3 de Naum revela quais foram os motivos porque Deus destruiu a cidade. 150 anos antes Deus perdoou a cidade porque esta ouviu a mensagem de Jonas e se converteu.

Antes do juízo de Deus há situações que prevêem a queda
As situações em que se encontrava Nínive quando Deus a julgou

I.A situação de mentira, violência e roubo (v.1-3)
1.Nínive conquistava as cidades torturando os seus cativos. A violência é uma covardia, pois não deixa chance para as pessoas se defenderem a não ser com mais violência. Portanto, violência gera violência (v.1).

2.Nínive era uma cidade mentirosa no comércio e nos julgamentos. Os poderosos se estabelecem, muitas vezes, sobre a mentira. A mentira é um desvio do caráter e se não for corrigida logo se transforma em estilo de vida. Além da violência e mentira Nínive vivia do roubo, pois se enriquecia com os despojos das nações (v.1).

3.Esse é um aviso para uma sociedade. Quando a mentira, a violência e roubo são parte da sociedade, o juízo pode estar próximo. Individualmente, também, precisamos observar se não somos mentirosos, violentos e fraudulentos nos negócios.

4.Nínive ouviria os inimigos e os cavaleiros matando sem cessar o povo ninivita. Sofreram a violência que tanto os divertiu.

II.A situação de prostituição e feitiçaria (v.4-7)
1.Nínive atraía muitas pessoas por causa de suas riquezas e construções elegantes, mas também, por causa das prostituições. Uma sociedade está chamando juízo para si mesma quando há um incentivo à degradação sexual (v.4).

2.A feitiçaria é um pecado que afronta Deus diretamente, pois só Ele é o doador da vida e quem se envolve com feitiçaria se envolve, também, com a necromancia e ninguém tem o poder de lidar com aqueles que já partiram deste mundo. Nínive desfazia reinos seduzindo os moradores com sua prostituição e feitiçaria (v.4).

3.As sociedades estão em decadência quando o espiritismo e a prostituição são permitidos por detrás de fachadas aparentemente lícitas como o mundo artístico que promove os dois pecados sem nenhuma censura, pois conseguiram abolir a censura.

4.Assim como Nínive incentivou a prostituição, Deus a envergonharia expondo a sua nudez ao mundo. Os povos buscavam em seus feiticeiros o consolo para as suas doenças e problemas, mas agora, fugirão do juízo que está em Nínive (v.5-7).

5.O crente deve fugir da prostituição e de tudo o que é imoral. A nossa fé está alicerçada na Pessoa de Jesus Cristo e, portanto, fugimos de toda a idolatria e feitiçaria, também.

III.A situação semelhante ao Egito (v.8-10)
1.Parecer-se com o Egito em sua glória era o desejo de todas as nações, mas Nínive está parecida com o Egito em sua queda. A cidade de Nô-Amom ganhou este nome por causa de Cão, filho de Noé e Amom, que era como chamavam Júpiter, um planeta que era adorado. Portanto, era uma cidade idólatra e totalmente protegida pelo mar Mediterrêneo, o Mar Vermelho e o rio Nilo (v.8).

2.Nínive era semelhante a Nô-Amom, pois era protegida pelos grandes rios Tigre e Eufrates. A sensação de segurança faz as pessoas serem arrogantes, mas é uma falsa sensação e um sintoma de que a queda está próxima.

3.Os habitantes da Mauritânia (os de Pute) e os líbios eram o refúgio de Nô-Amom, assim como todo o Egito e a Etiópia. Não havia, aparentemente, nada a temer. Estavam totalmente protegidos, mas não suportaram os caldeus. Nínive, também, estava em perigo, mas pensava que estava totalmente protegida (v.9-10).

4.Não apenas a mentira, a violência, o roubo, a prostituição e a feitiçaria são prenúncios de queda, mas a arrogância como o Egito são um forte aviso de que o juízo está por vir.

IV.A situação irremediável (v.11-19)
1.Poucos têm medo que a sua situação esteja chegando a um ponto de ser irremediável. Sempre se pensa que ainda a queda é algo muito longe e que não precisamos nos preocupar. Satanás engana aqueles que estão caindo.

2.Nínive será embriagada com o cálice da ira de Deus. Assim como um bêbado foge, temendo os seus inimigos imaginários, Nínive fugirá, mas de inimigos reais, os caldeus e os medos (v.11).

3.A cidade de Nínive era muito famosa por suas fortalezas e muralhas. Mais de 1500 torres de proteção serão insuficientes, pois embora os exércitos não tinham acesso, o rio Tigre se tornou incontrolável com sua enchente e acabou derrubando uma parte da muralha, deixando a cidade vulnerável. Os muros balançaram como figueiras com figos maduros. Os inimigos não fizeram nada além de receberem o presente do rio Tigre e conquistarem a impenetrável Nínive (v.12).

4.Os soldados ninivitas são como mulheres, ou seja, não oferecem resistência e as portas estão escancaradas diante dos exércitos. Não havia remédio para Nínive. A situação se tornou irremediável (v.13).

5.A situação é desesperadora, pois é como se Nínive podia, agora, diante da invasão, amassar barro para fazer tijolos e consertar a muralha para se proteger. Não há nada que se possa fazer para segurar as águas quando estas chegam (v.14).

6.O exército de Nínive era muito grande e se multiplicava como os gafanhotos, mas morrerão como os gafanhotos pelos exércitos da Babilônia e da Média (v.15).

7.Nínive era a capital da Assíria, muito forte no comércio, mas os seus negócios nada serão diante do juízo de Deus, pois os exércitos inimigos serão como uma nuvem de gafanhotos que devora uma plantação, ou seja, todas as riquezas de Nínive serão roubadas (v.16).

8.O profeta Naum continua com a ilustração dos gafanhotos e diz que os príncipes serão como os gafanhotos que estão nas plantações na noite fria, mas quando vem o calor voam e não aparecem mais. O povo de Nínive ficará sem liderança no momento mais crítico de sua história. Quando a situação se torna irremediável não há líder que possa ajudar. Os problemas e pecados devem ser tratados, pois tudo fica mais difícil quando a situação se torna crítica e quase sem solução (v.17).

9.Nínive se tornou como ovelhas esparramadas nas montanhas enquanto os pastores dormem e não cuidam. Alguém sob o juízo de Deus está em perigo constante, pois está desprotegido do Sumo Pastor (v.18).

10.A situação de Nínive é irremediável. Tantos os que sofreram nas mãos dos assírios estão se regozijando. 150 anos atrás, o profeta Jonas aplaudiria, também. Nínive foi má para todos e, agora, todos vêem a sua queda (v.19).

Conclusão
1.Baseado nos exemplos bíblicos e até na observação podemos ver que antes da queda sempre há avisos e sintomas. Nínive, por exemplo, já estava dando sinais gritantes de sua queda. A mentira, a violência, a prostituição, a feitiçaria e a semelhança com o Egito fizeram que a situação se tornasse irremediável.

2.Cada pessoa deve, diante de Deus, observar se sua vida está dando sinais de uma possível queda. Cada pessoa deve perceber suas tendências para ver se essas não a estão levando a uma situação irremediável.

Pércio Coutinho Pereira, 03/04/2004

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Natal – a grandeza de Jesus

Referência: Lucas 1.26-38
INTRODUÇÃO
O Natal é celebração do nascimento de Jesus. Mas quem é Jesus? Nos primeiros séculos as opiniões muito divergiram:
1) Os gnósticos – não acreditaram na sua encarnação
2) Os ebionistas – acreditavam que ele era apenas uma emanação de Deus
3) O arianismo – acreditava que ele era a primeira criação de Deus.
Hoje, muitos pregam um Jesus espírito iluminado. Outros pregam um Jesus bonachão; outros falam de um Jesus milagreiro. Ainda outros pregam um Jesus paz e amor.
Mas, quem é Jesus? Ele não quem os homens dizem que ele é. Ele não é uma projeção do imaginário coletivo, nem o Jesus pregado pelas religiões. Ele é quem ele é, revelado nas Escrituras.
Esse texto nos fala da grandeza de Jesus.
O anjo Gabriel aparece a Maria para revelar-lhe dois milagres:
1) Uma virgem vai conceber.
2) Uma mulher idosa e estéril já concebeu.
No segundo caso, Deus parece estar atrasado. No primeiro caso, Deus parece estar adiantado. O princípio é mostrar que para Deus não há impossíveis.
Nessa revelação de Gabriel o centro da conversa não é Maria, mas o Filho de Maria. Gabriel destaca nesse episódio, a grandeza de Jesus:
I. A GRANDEZA DE JESUS QUANTO A SUA ORIGEM – v. 32,35
1. Jesus é não um filho de Deus, mas o Filho de Deus
Jesus é o Verbo eterno, Deus co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai. Ele disse: “Eu e o Pai somos um”. Ele não passou a existir, ele é Deus desde a eternidade. Ele é o Pai da eternidade. Ele desfrutou sempre da glória do Pai, antes que houvesse mundo.
Sua relação com o Pai é eterna. Aquele menino que nasceu em Belém, é Deus de eternidade a eternidade. Antes que os montes nascessem e se formasse, ele já existia. Ele não teve começo nem terá fim. Ele é a causa não causada, o efeito de todas as causas.
2. Jesus como Deus não teve mãe, como homem não teve Pai
O ente que vai nascer de Maria já existia antes dela. O Filho precede a mãe. Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo. O verbo se fez carne por uma obra milagrosa do Espírito Santo no ventre de Maria. Como Deus ele sempre existiu, por isso Maria não pode ser sua mãe. Como homem foi gerado pelo Espírito Santo por isso não teve pai humano.
II. A GRANDEZA DE JESUS QUANTO AO SEU CARÁTER – v. 35
1. Jesus é um ente santo, ele não herdou o pecado original
Jesus não é um membro da raça como eu e você. Pois nascemos em pecado, pois herdamos o pecado de Adão. Mas Jesus não é semente do homem como todos os demais homens, mas semente da mulher (Gn 3.15). Ele nasceu sem pecado, nele não havia pecado.
2. Jesus não cometeu pecado
Jesus nunca cometeu pecado. Ele foi tentado, mas jamais cedeu à tentação. Aquele que não conheceu pecado fez-se pecado por nós. Nunca se achou dolo em sua boca. Ele obedeceu completamente a lei em nosso lugar. Seus inimigos o perseguiram e para acusá-los, precisaram forjar provas falsas e contratar testemunhas falsas. Ele é a verdade. Sua vida é irrepreensível, suas palavras irrefutáveis, suas obras irresistíveis.
III. A GRANDEZA DE JESUS COM RESPEITO À SUA OBRA – v. 31
1. Jesus é o criador do universo
Ele é o criador do universo. Sem ele nada do que foi feito se fez. Ele criou o universo e tudo o que nele há.
Hoje os homens cheios de empáfia zombam daqueles que pregam a criação. NO Rio de Janeiro, a governadora é escarnecida por ensinar nas escolas públicas a criação. Em Nova York, a exposição sobre Darwin, zomba dos americanos porque 70% deles crêem na criação.
O Jesus do Natal é o criador.
2. Jesus é quem sustenta o universo
Ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. Ele dá a chuva e o sol. Ele intervém. Ele ouve as orações. Ele cura os enfermos. Ele age soberanamente. Nem uma folha cai de uma árvore sem que ele saiba e permita.
Jesus é o Deus da providência. Ele está presente. Ele ama, cuida, consola, corrige, levanta, restaura. Ele cura os enfermos, ergue os abatidos, repreende os faltosos. Ele está com as rédeas da história nas mãos. Ele está com o livro da história nas mãos. Ele está no trono do universo. Ele reina!
3. Jesus é o Salvador
a) Ele veio para desfazer as obras do diabo – ele esmagou a cabeça da serpente. Ele expôs o diabo e suas hostes ao desprezo. Ele se manifestou para desfazer o mal.
b) Ele veio para vencer o pecado – Jesus viveu sem pecado, morreu pelo nosso pecado e venceu o pecado. Agora não precisamos ser escravos do pecado. Ele veio para nos salvar do pecado e não no pecado. Ele verteu o seu sangue. Ele nos comprou. Nos redimiu. Nos resgatou do império das trevas.
c) Ele veio para nos reconciliou com Deus – Estávamos perdidos e fomos achados, mortos e revivemos. Longe e fomos reconciliados. Agora somos filhos, herdeiros. Agora temos livre acesso à presença de Deus.
d) Ele veio para morrer em nosso lugar – Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele morreu a nossa morte. Foram os nossos pecados que o levaram à cruz. Ele bebeu o cálice. Ele se fez pecado. Ele deu um brado: está consumado!
IV. A GRANDEZA DE JESUS EM RELAÇÃO AO SEU REINO – v. 32,33
1. As características do seu Reino
a) Seu reino é espiritual – ele governa não com espada, não com a força dos déspotas. Ele governa pelo amor. Ele reina nos corações.
b) Seu reino é de justiça, alegria e paz – Os súditos desse reino são as pessoas mais felizes do mundo. Não há injustiça, nem tristeza nem perturbação.
2. Em sua extensão
O seu reino alcança todos os povos, línguas e nações. Jesus morreu para comprar os que procedem de toda tribo, povo língua e nação. Todo joelho se prostra diante dele. Nenhum centímetro desse universo está fora dos limites do seu reinado.
3. Em sua duração
O seu reinado não tem fim. Os reinos do mundo se levantam e caem. Mas o Reino de Cristo é eterno. Ele jamais será destruído. Os reinos deste mundo foram grandes e hoje são apenas mataria de estudo de história.
Daniel 2 fala dos reinos deste mundo. E também fala de uma pedra que enche toda a terra. Essa pedra é o Reino de Cristo.
CONCLUSÃO
Quais são as implicações da grandeza de Jesus?
1) Precisamos saber que ele não chega nem atrasado nem adiantado na nossa vida. Isabel podia pensar que era tarde demais e Maria podia pensar que era cedo demais. Mas ele chega no tempo certo.
2) Precisamos saber que para ele não há nada impossível. Sua causa pode ser impossível para os homens. Maria perguntou: Como será isto? (v. 34). Isabel sendo velha e estéril dá à luz.
3) Precisamos nos submeter à agenda de Deus (v. 38) – Maria era uma jovem favorecida (v. 28), bendita entre as mulheres (v. 42), crente (v. 45), disponível para fazer a vontade de Deus (v. 38).
4) Os pastores o adoraram. Os magos o adoraram. Os anjos o louvaram. E você?
Rev. Hernandes Dias Lopes.

sábado, 16 de setembro de 2017

Predestinação: Cinco Afirmações Incontestáveis
por
John Stott

Comentário Sobre Romanos 8:28-30

“A predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus, pelo qual (antes de lançados os fundamentos do mundo) tem constantemente decretado por seu conselho, a nós oculto, livrar da maldição e condenação os que elegeu em Cristo dentre o gênero humano, e conduzi-los por Cristo à salvação eterna, como vasos feitos para honra. Por isso os que se acham dotados de um tão excelente benefício de Deus, são chamados segundo o propósito de Deus, por seu Espírito operando em tempo devido; pela graça obedecem à vocação; são justificados gratuitamente; são feitos filhos de Deus por adoção; são criados conforme à imagem de seu Unigênito Filho Jesus Cristo; vivem religiosamente em boas obras, e, enfim, chegam, pela misericórdia de Deus, à felicidade eterna”. (XVII Artigo de Religião – Predestinação e Eleição).
“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou, também justificou; aos que justificou também glorificou” (Romanos 8:28-30). Nestes dois versículos Paulo esclarece o que quis dizer no versículo 28 ao referir-se ao “propósito” de Deus, segundo o qual ele nos chamou e age para que tudo contribua para o nosso bem. Ele analisa o “bem” segundo os parâmetros de Deus, bem como o seu propósito de salvação, através de cinco estágios, desde que a idéia surgiu em sua mente até a consumação do seu plano na glória vindoura. Segundo o apóstolo, esses estágios são: presciência, predestinação, chamado, justificação e glorificação. Primeiro há uma referência a aqueles que Deus de antemão conheceu. Essa alusão a “conhecer de antemão”, isto é, saber de alguma coisa antes que ela aconteça, tem levado muitos comentaristas, tanto antigos como contemporâneos, a concluir que Deus prevê quem irá crer e que essa presciência seria a base para a predestinação. Mas isso não pode estar certo, pelo menos por duas razões. A primeira é que neste sentido Deus conhece todo mundo e todas as coisas de antemão, ao passo que Paulo está se referindo a um grupo específico. Segundo, se Deus predestina as pessoas porque elas haverão de crer, então a salvação depende de seus próprios méritos e não da misericórdia divina; Paulo, no entanto, coloca toda a sua ênfase na livre iniciativa da graça de Deus. Assim, outros comentaristas nos fazem lembrar que no hebraico o verbo “conhecer” expressa muito mais do que mera cognição intelectual; ele denota um relacionamento pessoal de cuidado e afeição. Portanto, se Deus “conhece” as pessoas, ele sabe o que passa com elas [138]; e quando se diz que ele “conhecia” os filhos de Israel no deserto, isto significa que ele cuidava e se preocupava com eles.[139] Na verdade Israel foi o único povo dentre todas as famílias da terra a quem Javé “conheceu”, ou seja, amou, escolheu e estabeleceu com ele uma aliança. [140] O significado de “presciência” no Novo Testamento é similar. “Deus não rejeitou o seu povo [Israel], o qual de antemão conheceu”, isto é, a quem ele amou e escolheu (11:2). [141]À luz deste uso bíblico John Murray escreve: “’Conhecer’... É usado em um sentido praticamente sinônimo de ‘amar’... Portanto, ‘aqueles que ele conheceu de antemão’... é virtualmente equivalente a ‘aqueles que ele amou de antemão”.[142] Presciência é “amor peculiar e soberano”. [143] Isto se encaixa com a grande declaração de Moisés: “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu, porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo... mas porque o Senhor vos amava...”. [144] A única fonte de eleição e predestinação divina é o amor divino.
Segundo, aqueles que [Deus] de antemão conheceu, ou que amou de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos (29). O verbo predestinou é uma tradução de proorizõ que significa “decidiu de antemão” (BAGD), como se vê em Atos.4:28 (“Fizeram o que o teu poder e tua vontade haviam decidido de antemão que acontecesse”). É, pois, evidente que o processo de tornar-se um cristão implica uma decisão; antes de ser nossa, porém, tem de ser uma decisão de Deus. Com isso não estamos negando o fato de que nós “nos decidimos por Cristo”, e isso livremente; o que estamos afirmando é que, se o fizemos, é só porque, antes disso, ele já havia “decidido por nós”. Esta ênfase na decisão ou escolha soberana e graciosa de Deus é reforçada pelo vocabulário com o qual ela está associada. Por um lado, ela é atribuída ao “prazer” de Deus, a sua “vontade”, “plano” e “propósito”, [145] e por outro lado, já existia “antes da criação do mundo” [146] ou “antes do princípio das eras”. [147] C. J. Vaughan resume esta questão nas seguintes palavras:
Cada um que se salva no final só pode atribuir sua salvação, do primeiro ao último passo, ao favor e à ação de Deus. O mérito humano tem de ser excluído: e isto só pode acontecer voltando às origens do que foi feito e que se encontra muito além da obediência que evidencia a salvação, ou mesmo da fé a que ela é atribuída; ou seja, um ato de espontâneo favor da parte daquele Deus que

antevê e pré-ordena desde a eternidade todas as suas obras. [148]
Este ensino não pode se minimizado. Nem a Escritura nem a experiência nos autoriza faze-lo. Se apelarmos para a Escritura, veremos que no decorrer de todo o Antigo Testamento se reconhece ser Israel “a única nação na terra” a quem Deus decidiu “resgatar para ser seu povo”, escolhido para ser sua “propriedade peculiar”; [149] e em todo o Novo Testamento se admite que os seres humanos são por natureza cegos, surdos e mortos, de forma que sua conversão é impossível, a menos que Deus lhes dê vista, audição e vida. Nossa própria experiência confirma isso. O Dr. J. I. Packer, em sua excelente obra O Evangelismo e a Soberania de Deus,[150] aponta que, mesmo que neguem isso, a verdade é que os cristãos crêem na soberania de Deus na salvação. “Dois fatos demonstram isso”, ele escreve. “Em primeiro lugar, o crente agradece a Deus pela sua conversão. Ora, por que o crente age assim? Porque sabe em seu coração que Deus foi inteiramente responsável por ela. O crente não se salvou a si mesmo; Deus o salvou. (…) Há um segundo modo pelo qual o crente reconhece que Deus é soberano na salvação. O crente ora pela conversão de outros... roga a Deus para que opere neles tudo quanto for necessário para a salvação deles”. Assim os nossos agradecimentos e a nossa intercessão provam que nós cremos na soberania divina. “Quando estamos de pé podemos apresentar argumentos sobre a questão; mas, postados de joelhos, todos concordamos implicitamente”. [151] Mesmo assim há mistérios que permanecem. E, como criaturas caídas e finitas que somos, não nos cabe o direito de exigir explicações ao nosso Criador, que é perfeito e infinito. Não obstante, ele lançou luz sobre o nosso problema de tal maneira a contradizer as principais objeções que são levantadas e a mostrar que a predestinação gera conseqüências bem diferentes do que se costuma supor. Vejamos cinco exemplos: 1. Dizem que a predestinação gera arrogância, uma vez que (alega-se) os eleitos de Deus se gloriam de sua condição privilegiada. Mas o que acontece é justamente o contrário: a predestinação exclui a arrogância, pois afinal, não dá para entender como Deus pode se compadecer de pecadores indignos como eles! Humilhados diante da cruz, eles só querem gastar o resto de suas vidas “para o louvor da sua gloriosa graça” [152] e passar a eternidade adorando o Cordeiro que foi morto. [153]2. Dizem que a predestinação produz incerteza e que cria nas pessoas uma ansiedade neurótica quanto a serem ou não predestinadas e salvas. Mas não é bem assim. Quando se trata de incrédulos, eles nem se preocupam com a sua salvação – até que, e a não ser que, o Espírito Santo os convença do pecado, como um prelúdio para a sua conversão. Mas, se são crentes, mesmo que estejam passando por um período de dúvida, eles sabem que no final a sua única certeza consiste na eterna vontade predestinadora de Deus. Não há nada que proporcione mais segurança e conforto do que isso. Como escreveu Lutero ao comentar o versículo 28, a predestinação “é uma coisa maravilhosamente doce para quem tem o Espírito”. [154]3. Dizem que a predestinação leva à apatia. Afinal, se a salvação depende inteiramente de Deus e não de nós, argumentam, então toda responsabilidade humana diante de Deus perde a razão de ser. Uma vez mais, isso não é verdade. A Escritura, ao enfatizar a soberania de Deus, deixa muito claro que isso não diminui em nada a nossa responsabilidade. Pelo contrário, as duas estão lado a lado em uma antinomia, que é uma aparente contradição entre duas verdades. Diferentemente de um paradoxo, uma antinomia “não é deliberadamente produzida; ela nos é imposta pelos próprios fatos... Nós não a inventamos e não conseguimos explicá-la. Não há como nos livrar dela, a não ser que falsifiquemos os próprios fatos que nos levaram a ela”. [155] Um bom exemplo se encontra no ensino de Jesus quando declarou que “ninguém pode vir a mim, se o Pai... não o atrair” [156] e que “vocês não querem vir a mim para terem vida”.[157] Por que as pessoas não vão a Jesus? Será porque não podem? Ou é porque não querem? A única resposta compatível com o próprio ensino de Jesus é: “Pelas duas razões, embora não consigamos conciliá-las”. 4. Dizem que a predestinação produz complacência e gera antinomianos. Afinal, se Deus nos predestinou para a salvação eterna, por que não podemos viver como nos agrada, sem restrições morais, e desafiar a lei divina? Paulo já respondeu esta questão no capítulo 6. Aqueles que Deus escolheu e chamou, ele os uniu com Cristo em sua morte e ressurreição. E agora, mortos para o pecado, eles renasceram para viver para Deus. Paulo escreve também em outro lugar que “Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença”. [158] Ou melhor, ele nos predestinou para sermos conformes à imagem de seu Filho (29). 5. Dizem que a predestinação deixa as pessoas bitoladas, pois os eleitos de Deus passam a viver voltados apenas para si mesmos. Mas o que acontece é o contrário. Deus chamou um único homem, Abraão, e sua família apenas, não para que somente eles fossem abençoados, mas para que através deles todas as famílias da terra pudessem ser abençoadas. [159] Semelhantemente, a razão pela qual Deus escolheu seu Servo, a figura simbólica de Isaías que vemos cumprida parcialmente em Israel, mas especialmente em Cristo e em seu povo, não foi apenas para glorificar Israel, mas para trazer luz e justiça às nações. [160] Na verdade estas promessas serviram de grande estímulo para Paulo (como deveriam ser também para nós) quando ele, num ato de grande ousadia, decidiu ampliar sua visão evangelística para alcançar os gentios. [161] Assim, Deus fez de nós seu “povo exclusivo”, não para nos tornarmos seus favoritos, mas para que fôssemos suas testemunhas, “para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. [162]Portanto, a doutrina da predestinação divina promove humildade, não arrogância; segurança e não apreensão; responsabilidade e não apatia; santidade e não complacência; e missão, não privilégio. Isso não significa que não existam problemas, mas é uma indicação de que estes são mais intelectuais do que pastorais. E o ponto que Paulo quer enfatizar no versículo 29 é, com toda certeza, pastoral. Tem a ver com dois propósitos práticos da predestinação de Deus. O primeiro é que nós devemos ser conformes [viver de conformidade com] à imagem de seu Filho. Ou, dito da forma mais simples possível, o eterno propósito de Deus para seu povo é que nos tornemos como Jesus. O processo de transformação começa aqui e agora, em nosso caráter e conduta, por meio da obra do Espírito Santo, [163] mas só será completado e aperfeiçoado quando Cristo vier e nós o virmos, [164] e quando nossos corpos se tornarem como o corpo de sua glória. [165] O segundo propósito da predestinação de Deus é que, como resultado de nos tornarmos conformes à imagem de Cristo, ele passe a ser o primogênito entre muitos irmãos, desfrutando da comunhão da família como também da prerrogativa de ser o primogênito. [166]Vamos agora à terceira afirmação de Paulo: E aos que predestinou, também chamou (30a). O chamado de Deus é a aplicação histórica da sua predestinação eterna. Seu chamado chega às pessoas por meio do evangelho; [167] quando esse evangelho é anunciado a elas com poder e elas lhe respondem com a obediência da fé, aí é que se sabe que Deus as escolheu. [168] Assim a evangelização (o anúncio do evangelho), longe de se tornar supérflua em virtude da predestinação de Deus, é indispensável, pois é exatamente ela o meio proporcionado por Deus para que o seu chamado chegue às pessoas e desperte a sua fé. Fica, pois, evidente que aqui, quando Paulo fala do “chamado de Deus”, não se trata daqueles apelos generalizados do evangelho, mas sim da convocação divina que levanta os espiritualmente morto e lhes dá vida. Geralmente se chama isso de chamado “efetivo” de Deus. Aqueles a quem Deus dirige esse chamado (30) são os mesmos que “foram chamados de acordo com o seu propósito” (28). Em quarto lugar, aos que chamou, também justificou (30b). O chamado efetivo de Deus capacita aqueles que o ouvem a crer; e aqueles que crêem são justificados pela fé. Como a justificação pela fé é um assunto dominante nos capítulos anteriores desta carta de Paulo, não há necessidade de se repetir o que já foi dito, a não ser talvez enfatizar que a justificação é muito mais do que simples perdão ou absolvição, ou mesmo aceitação; é uma declaração de que nós, pecadores, agora somos justos aos olhos de Deus, pois ele nos conferiu o status de justos, que na verdade trata-se da justiça do próprio Cristo. É “em Cristo”, em virtude da nossa união com ele, que nós fomos justificados. [169] Ele se fez pecado com o nosso pecado, para que nós pudéssemos nos tornar justos com a sua justiça. [170]Quinto, aos que justificou, também glorificou (30c). Já por diversas vezes Paulo usou o substantivo “glória”. Trata-se essencialmente da glória de Deus, a manifestação do seu esplendor, a glória da qual todos os pecadores estão destituídos (3:23), mas que se regozijam na esperança de recobrar (5:2). Paulo promete também que se participarmos dos sofrimentos de Cristo iremos participar também da sua glória (8:17), e que a própria criação irá um dia experimentar a liberdade da glória dos filhos de Deus (8:21). Agora ele usa o verbo: aos que justificou, também glorificou. Nosso destino é receber corpos novos em um mundo novo, e ambos serão transfigurados com a glória de Deus. Muitos estudiosos percebem que o processo da santificação, que ocorre entre a justificação e a glorificação, foi omitido no versículo 30. No entanto, ele está implícito ali, tanto na alusão a sermos conformados à imagem de Cristo, como na preliminar necessária para nossa glorificação. Pois “santificação é glória iniciada; glória é santificação consumada”. [171] Além disso, tão certo é esse estágio final que, embora ainda se encontre no futuro, Paulo o coloca no mesmo tempo aoristo, como se fosse um fato passado, tal como tem usado para os outros quatro estágios que já são passado. É o assim chamado “passado profético”. James Denney escreve que “o tempo da última palavra é impressionante. É a mais ousada antecipação de fé que o próprio Novo Testamento contém”. [172]
Vimos aqui, portanto, as cinco afirmações incontestáveis apresentadas por Paulo. Deus é retratado como alguém que se move irresistivelmente de um estágio ao outro; de uma presciência e predestinação eternas, através de um chamado e uma justificação históricos, para a glorificação final de seu povo em uma eternidade futura. Faz-nos lembrar uma cadeia composta de cinco elos inquebráveis.

NOTAS:
[136] Jeremias 29.11.
[137] At 2.23; cf. 4.27.
[138] Sl. 1.6; 144.3.
[139] Os 13.5.
[140] Am 3.2.
[141] Cf. 1 Pe 1.2.
[142] Murray, vol. I, p. 317.
[143] Ibid., p. 318.
[144] Dt 7.7s.; cf. Ef 1.4s.
[145] Ef 1.5,9,11; 3.11.
[146] Ef 1.4.
[147] 1 Co 2.7; 2 Tm 1.9; cf. 1 Pe 1.20; Ap 13.8.
[148] Vaughan, 9. 163.
[149] 2 Sm 7.22ss; cf. Êx 19.3ss; Dt 7.6; 10.15; 14.2; Sl 135.4.
[150] Edições Vida Nova, 1961.
[151] Ibid., pp. 13ss.
[152] Ef 1.6,12.14.
[153] Ap 5.11ss.
[154] Lutero (1515), p. 371.
[155] Packer, op. cit., p. 21.
[156] Jo 6.44.
[157] Jo 5.40.
[158] Ef 1.4; cf 2 Tm 1.9.
[159] Gn 12.1ss.
[160] Is 40.1ss; 49.5ss.
[161] Ver; por exemplo, At 13.47; 26.23.
[162] 1 Pe 2.9ss.
[163] 2 Co 3.18.
[164] 1 Jo 3.2ss.
[165] 1 Co 15.49; Fp 3.21.
[166] Cf. Cl 1.18.
[167] 2 Ts 2.13s.
[168] 1 Ts 1.4s.
[169] Gl 2.17.
[170] 2 Co 5.21.
[171] Bruce, p. 168.
[172] Denney, p. 652.



Fonte: STOTT, John. A Mensagem de Romanos. Trad. Silêda e Marcos D S Steuernagel. 1ed. São Paulo: ABU Ed., 2000. 528p.; pp. 300-306.

Para saber mais: http://www.abub.org.br/editora/livros/bibliafalahoje.htm